O VENDEDOR DE SONHOS - O CHAMADO - portuguese by Augusto Cury

O VENDEDOR DE SONHOS - O CHAMADO - portuguese by Augusto Cury

Author:Augusto Cury [Cury, Augusto]
Language: por
Format: epub
Tags: _auto ajuda
ISBN: 9788560096275
Publisher: ACADEMIA DA INTELIGENCIA
Published: 2008-05-15T00:00:00+00:00


O bêbado colocou as mãos sobre a cabeça, logo se refez. Mesmo sem um raciocínio organizado, percebeu que fora indelicado. Pediu desculpas e os convidou para sentar. Então chorou por vinte segundos sem dizer o motivo. Os alcoólatras choram fácil.

Depois se apresentou. Disse que se chamava Lucas e contou que era um médico cirurgião falido. Havia cometido um erro médico que não comprometera a vida do paciente, mas o advogado desse paciente transformou seu erro numa aberração. Processou-o e, como não tinha seguro, levou tudo o que havia construído em vinte anos de carreira. Endividado, não conseguia pagar a prestação da casa, estava para ser despejado. Não conseguiu pagar as pesadas parcelas do novo carro, que estava com ordem de busca e apreensão.

— Não chore, amigo. Você pode morar debaixo de pontes —

disse Bartolomeu, angustiando mais ainda o moribundo.

Dimas entrou em ação. Para tentar consolar o médico, contou parte da sua história, uma história que Bartolomeu desconhecia. Disse que seu pai ficara preso vinte e cinco anos por assalto à mão armada. Em seguida sua mãe se envolveu com outro homem e abandonou a ele, de cinco anos, e à sua irmã, de dois. Foram para orfanatos separados. Ela foi adotada e nunca mais se viram. Dimas não foi adotado, pois ninguém queria adotar um menino de cinco anos de pele escura. Cresceu sem nada, sem pai, sem mãe, sem irmã, sem afeto, sem estudo, sem amigos.

Bartolomeu se condoeu do amigo e tentou consolá-lo:

— My friend, sempre pensei que você fosse um malandro, canalha, tapeador e vigarista sem causa. Não o conhecia, cara. Você é o mais normal dos malucos do grupo!

O doutor Lucas ficou emocionado com sua história. O efeito do álcool diminuiu um pouco devido ao interesse que a conversa lá

gerou. Ficaram amigos. Conversaram por três horas. Saíram abraçados e cantando ”O Lucas é um bom companheiro, o Lucas é

um bom companheiro”. Sentiram o prazer de uma amizade despretensiosa. Entenderam que viver fora do casulo tem seus inegáveis riscos, mas também seus irrefutáveis encantos. Foram dormir num quarto no fundo da casa do médico. A esposa tinha ouvido falar do movimento social dos ”sonhos”. Preparou-lhes um suculento espaguete ao molho de tomate. No dia seguinte, ela lhes agradeceu. Fazia seis meses que não via seu marido animado a enfrentar desafios.

Dimas e Bartolomeu continuaram a jornada. No final da tarde do segundo dia, encontraram outro alcoólatra em situação lastimável, agora debruçado sobre o balcão. Bartolomeu parecia conhecê-lo. Quando ele virou o rosto, confirmou. Era Barnabé, seu melhor amigo de bares e noitadas. Tinha um metro e setenta e cinco de altura, pesava cento e dez quilos. Era quase impossível não vê-lo bêbado e mastigando alguma coisa. O álcool ainda não conseguira tirar seu apetite. Seu apelido era ”Prefeito”, pois adorava fazer discursos, discutir política e dar soluções mágicas para os problemas sociais. Ele e Bartolomeu eram páreo duro no quesito ”a língua mais incontrolável”.

— Boquinha, você aqui? — gritou Barnabé quase que em código porque não conseguia pronunciar as palavras.



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